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Marta Andrade Rodrigues

mscar78@gmail.com

Metamorfoseando

Ouço o silêncio sussurrar, tão alto como um eco

Que me embala num balanço sem ontem, nem amanhã.

E numa visão hirta, fico num vazio acromático...

A minha alma não tem onde habitar.

Despida e exposta, dou um passo sem chão,

Estalando o meu corpo sem pele.

Na transparência sublime, já nem sei sentir.

Solta-se tudo em mim, perco-me sem me encontrar.

Acordo, afogada na areia, com um vento do deserto

Só sei que quero...quero voltar, quero lutar, quero viver.

Memórias arrumadas e vastas camadas de dor

Ressuscitam quem SOU.

Encontro o meu início e canto uma melodia sem fim.

Neste coro encantado, vou-me metamorfoseando.

Desvendo enigmas e liberto a minha essência.

Consciente, presente, autêntica, feliz e em paz.

Vou rompendo caminhos num desejo iluminado

Como um farol de luz bruta e ofuscante.

Sinto esta transmutação correr-me pelas veias

Como se dela dependesse o meu respirar.

É aqui que quero ESTAR!

É aqui que quero SER!

Viajo com bagagem de mão

Mas com muita paz no coração.